Secretário critica "afrouxamento" do isolamento e prevê 8 mil mortes em MT
O secretário de Saúde, Gilberto Figueiredo admitiu preocupação com o afrouxamento das medidas de isolamento social tomadas em outros municípios, mas especialmente Várzea Grande, que liberou o comércio não essencial semana passada. Ele destacou que especialistas apontam que o "pico" do novo coronavírus está previsto para ocorrer entre o fim de abril e início de maio e que o distanciamento é, até o momento, a medida mais eficaz para evitar a proliferação do vírus.
“Temos transmissão comunitária em Cuiabá e Várzea Grande por causa da proximidade. É comum que profissionais de Cuiabá trabalhem em Várzea Grande e vice versa, o fluxo entre os municípios é muito grande”, disse em coletiva via live no Facebook e Instagram, lembrando que medidas isoladas em cada município influenciam na situação da saúde pública do outro.
Oficialmente, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) divulgou que até as 16 horas de domingo (12), havia 498 casos notificados de síndrome respiratória aguda grave em Mato Grosso, com 123 testes confirmados de Covid-19, entre os quais, sete hospitalizados sendo 4 enfermaria e UTIs. Somente 17 pacientes dos 498 são considerados recuperados. São três óbitos, o que perfaz uma taxa de 2,4% de letalidade.
A equipe do poder público estadual formada para contingenciar a crise prevê aumento considerável de casos na capital porque as pessoas estão afrouxando o isolamento social, mas se recusa a divulgar um percentual previsto para esse aumento para “evitar pânico” na população. “Já disse anteriormente e vou repetir que 50% da população serão infectados, muitos desses já estão infectados e seguem circulando, transferindo o vírus pra mais pessoas. Várzea Grande tem o centro mais próximo de Cuiabá que o bairro de Pedra 90, por exemplo, então, é claro que o afrouxamento das medidas de isolamento social vão influenciar em Cuiabá, onde está o epicentro”, afirmou.
A prefeita Lucimar Sacre de Campos (DEM) não restringiu a circulação de ônibus e liberou parte do comércio na semana da Páscoa. “Esta é uma medida que causa certo desconforto, porque ainda não estamos preparados para o grande pico da epidemia. Ainda há necessidade de infraestrutura para realizar o atendimento e o grande número de casos vai trazer problemas pra toda a rede hospitalar”, continuou Figueiredoç
Na mesma coletiva via live em mídias sociais, o secretário lembrou que o maior número de casos confirmados vem ocorrendo justamente nos municípios mais populosos e que não estão respeitando as recomendações do Ministério da Saúde e da OMS (Organização Mundial de Saúde), como Várzea Grande e Rondonópolis (distante 220 quilômetros de Cuiabá).
“Se a liberação geral no trânsito das pessoas não tivesse nenhum impacto, não precisaria nenhuma medida anterior a este período. Está comprovado que as medidas de isolamento social contribuem para abrandar a curva de disseminação na população. Claro que as medidas em Várzea Grande, Rondonópolis e Cuiabá, lugares com maior número de casos confirmados, devem trazer transtornos nas próximas semanas”.
Perguntado diretamente se a SES estima em quanto pode aumentar o número de casos durante as próximas semanas, preferiu ser lacônico. “Estimamos, mas não divulgamos, porque não queremos criar pânico e porque não existe uma matemática perfeita, é baseada no comportamento das pessoas”.
No entanto, admitiu ainda que uma estimativa não oficial dando conta de 8 mil mortos e que já foi ridicularizada por ele há duas semanas já não é mais tão absurdo assim. “Se alguém puder puxar pela memória, vai verificar que num passado não muito distante estimaram que haveria 8 mil mortos. Classifiquei naquele momento como ridícula, mas à medida que os municípios vão se comportando em relação às medidas não-farmacológicas esses números podem se alterar. Se afrouxarmos na restrição, teremos obviamente um número maior. Os dados estatísticos servem para tomada de decisões”.
MÁSCARAS
O gestor da SES admitiu também que o governador Mauro Mendes (DEM) estuda junto com a equipe a formulação de uma lei para levar à obrigatoriedade do uso das máscaras exatamente porque não dá pra aplicar punição alguma enquanto não houver lei sobre o assunto. “O Estado está estimulando, de forma educativa, o uso da máscara. O governo estuda encaminhar esta semana uma lei à Assembleia Legislativa e só a partir daí sanções. Neste momento, o governo conta com obom senso da população pra conter o maior número dee casos e evitar boom de pacientes na rede hospitalar”.
FONTE FOLHA MAX
