Remédios ficam mais caros nas farmácias de Mato Grosso
Os efeitos da inflação de 2021 já começaram a chegar nas farmácias de Mato Grosso, com a remarcação de preços dos medicamentos. Os reajustes acontecem com autorização da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed), órgão vinculado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e podem chegar a 10,89%.
O reajuste foi aprovado no dia 31 de março para recompor a inflação dos últimos 12 meses, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que até fevereiro estava em 10,79%.
José Antônio Parolin, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos de Mato Grosso (Sincofarma/MT), explica que o reajuste é realizado sempre nessa época do ano e utiliza como fundamento o preço médio ponderado das indústrias farmacêuticas, que também foram afetadas pela falta de insumos durante a pandemia.
“Esse ano foi um pouco mais alto que os outros anos anteriores em razão da inflação, que foi alta em 2021, e também devido a esses problemas de logística, fornecimento de matéria-prima, de insumos, que a indústria também sofreu por causa da pandemia”, disse Parolin, sócio da Única Farmácia de Manipulação, em entrevista ao Estadão Mato Grosso.
Ainda segundo Parolin, metade do aumento foi praticado já no dia seguinte à autorização da Cmed, no dia 1º de abril, e a outra metade deve ser repassada aos consumidores ainda nesta semana. Os valores máximos são repassados aos empresários do ramo pela Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico (ABCFarma).
“Nessa primeira semana de abril, todos os laboratórios já estarão alinhados com o novo preço”, afirma o representante do setor em Mato Grosso.
Parolin aponta que as grandes empresas vão conseguir segurar os preços por alguns dias ou até um mês, o que pode ocasionar uma fuga de clientes das pequenas farmácias. Isso ocorre porque as empresas menores trabalham com estoque menor.
“O aumento de medicamento para as pequenas empresas é um péssimo negócio, pois cai as vendas, o lucro diminui. Aquele cliente fiel, que usa medicamento contínuo, ele vai querer continuar pagando o mesmo preço e, ao contrário das grandes empresas que possuem estoque, as pequenas empresas sofrem com o reajuste”, pontua.
Segundo o Sindicato dos Produtos da Indústria Farmacêutica (Sindusfarma), o aumento dos preços deve atingir cerca de 13 mil medicamentos disponíveis no mercado varejista brasileiro.
SEQUÊNCIA DE ALTAS - Esta é o segundo ano consecutivo em que o reajuste do preço dos medicamentos atinge mais de 10%. Em 2021, o aumento autorizado pelo governo foi de até 10,08%. Em 2020, o reajuste foi suspenso por 2 meses devido à pandemia, passando a vigorar apenas em 31 de maio, quando houve aumento máximo de 5,21%.
O reajuste não é igual para todos os medicamentos. Os remédios são divididos em três categorias para a determinação do reajuste máximo, levando em consideração a quantidade de genéricos disponíveis no mercado e o grau de concorrência.
No nível 1, quando a participação de genéricos superior a 20%, o reajuste é mais alto, pois há mais competitividade por preços. No nível 2, os genéricos representam 15% a 20% do mercado e o reajuste é apenas parcial.
Já no nível 3, em que há participação de menos de 15% de genéricos, o índice de reajuste é o menor.
Fonte ESTADÃO MATO GROSSO
