Casos de sífilis aumentam 21% em MT
Nos últimos dois anos, houve um aumento de 21% no número de casos de sífilis em adultos em Mato Grosso, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES-MT). Outros registros da doença em gestantes e congênitos mostrou queda de 0,9% e 34%, respectivamente.
A sífilis é uma doença sexualmente transmissível e evolui em três fases. Porém, a cura é simples e o tratamento é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em qualquer Unidade Básica de Saúde (UBS), de acordo com especialistas ouvidos pelo g1.
Em 2019, os números de casos da doença alcançaram 992; em 2020, foram notificados 588; em 2021, foram 716 casos, o que representa um aumento de 21% dos registros nos últimos dois anos.
Já em gestantes, em 2019, foram 1.012 casos; em 2020, foram 1.002, o que sinaliza uma queda de 0,9%. Neste ano, contudo, os dados preliminares apontam para 982 registros entre grávidas.
O médico Dr. Werley Peres disse que a sífilis tem cura, mas o preconceito da sociedade, não.
"A primeira escolha no tratamento é nossa gloriosa penicilina benzatina, antibiótico antigo e mais indicado. O tratamento é simples e tem em qualquer Unidade Básica de Saúde. Até as gestantes podem tomar sem nenhum problema. Sífilis tem cura, o que não tem cura é o preconceito. Então, procure um médico", disse.
Ele ainda explicou que a doença pode evoluir em três fases diferentes ao longo do tempo. Na primeira, surgem pequenas lesões e feridas na região da genitália. Depois de um tempo, elas podem sumir naturalmente, sem qualquer uso de medicamentos.
Então, elas aparecem de novo, alcançando a segunda etapa de evolução da doença. Já a terceira fase, as feridas aparecem em toda parte no corpo, como, por exemplo, na palma da mão ou na sola do pé.
“Existem pacientes que têm transtornos neurológicos por causa de sífilis terciária e outros também com problemas cardiológicos. Isto é, a sífilis não é uma doença simples. Se não tratada, ela pode ter sequelas para a vida inteira. Então, ao primeiro sinal de lesões e feridas na genitália que aparecem e desaparecem, procure um médico mais próximo da sua casa para fazer um teste rápido nas Unidades Básicas de Saúde e veja se tem sífilis ou não", alertou.
A infectologista Kadja Samara também disse que a doença é a mais comum na população. “As infecções sexualmente transmissíveis são passadas pelo ato sexual. A mais prevalente é a sífilis e pela alta contagiosidade é bem comum na população em geral. A infecção fica latente no sangue, o que aumenta a chance de adquirir outras doenças, como HIV e outras hepatites sexualmente transmissíveis", explicou.
Pesquisa da UFMT e parceiras
Uma pesquisa da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em parceria com instituições internacionais, busca dar o primeiro passo para estabelecer uma relação entre a prática de exercícios físicos e a melhora no tratamento contra HIV e Aids. Isto não substitui em nada os antirretrovirais e coquetel de medicamentos tradicionais, mas sim se soma a eles na busca pela cura.
De acordo com o professor de Educação Física da UFMT, Fabrício Voltarelli, a pesquisa inova nessa área ao explorar um aspecto que ainda tinha sido pouco estudado. “Mais massa magra, mais expectativa de vida. Isso já foi observado no tratamento do câncer e foi pouco explorado em relação ao HIV, que foi o que fizemos agora com essa pesquisa”, disse.
A tendência que busca comprovar com mais dados é a diminuição da carga viral a partir dos exercícios físicos, sendo este apenas um tratamento não farmacológico que não dispensa o acompanhamento médico regular.
Foram analisadas 40 pessoas, sendo separados em dois grupos, um como grupo controle e outro não. Composto por 10 homens e mulheres em cada time. Os testes ocorreram em junho e julho do ano passado. Instituições do Irã, da Austrália e de Sidney participaram da pesquisa.
FONTE G1-MT
