Médicos reclamam de violência em atendimentos com unidades superlotadas
A situação nas unidades de saúde de todo o Estado está cada vez mais caótica, tanto para a população, quanto para a equipe profissional. Casos de violência contra médicos e outros profissionais da área são recorrentes. Somente nos primeiros 12 dias de janeiro, 16 boletins de ocorrência já foram registrados, de acordo com o Sindicado dos Médicos de Mato Grosso (Sindimed).
Pandemia da covid-19, nova variante ômicron, epidemia de gripes e Influenza, especialmente H3N2. Todos esses fatores lotaram ainda mais as unidades de saúde, tanto públicas, quanto particulares. Desde então, um problema que já existia, piorou: violência física e verbal, especialmente contra médicos.
“Essa violência contra os profissionais de saúde inicia desde a pessoa na recepção, aos técnicos e médicos. Isso já vinha acontecendo antes da pandemia, mas a pandemia veio a piorar o que já existia e nós temos agora essa epidemia de gripe, e tem outros vírus. Isso gera uma preocupação maior da população e uma procura muito maior nas unidades”, explicou o diretor executivo do Sindimed, Adeildo Lucena.
Outros fatores que contribuem para o caos são as más condições de trabalho e baixo número de profissionais para atender a alta demanda.
“Temos casos de violência maior nas unidades públicas devido, justamente, às condições de trabalho e número insuficiente de profissionais. Com a procura em excesso, é como encher um copo d’água e vê-lo transbordando. Não são profissionais suficientes para a demanda e isso gera insatisfação, mas não justifica a violência”, afirma Adeildo.
De acordo com o diretor, a violência não fica apenas no campo verbal. Há inúmeros casos de agressão física e ainda outras, como pessoas em cargos de chefia que ameaçam demitir os profissionais, por exemplo.
“Essas questões já existiam e agora as coisas pioraram muito e fica bastante complicado. Os profissionais de saúde vêm sofrendo muito. Orientamos que filmem e registrem boletins de ocorrência. Também pedimos segurança, com ajuda da PM. Só de a PM estar presente, já inibe essa violência. Não queremos inibir as pessoas, queremos que tenha ordem e paciência”.
Nessa terça-feira (11), na Clínica da Família do bairro CPA I, em Cuiabá, um novo caso de violência física foi registrado e a Prefeitura Municipal confirmou que o estresse foi causado pela superlotação.
“A violência física é o extremo, mas tem outras. O paciente te ameaça, te xinga, isso afeta o emocional. Para continuar no plantão é muito ruim. Às vezes no início do plantão ser tratado mal, você está ali para ajudar, muitas vezes vindo de outro plantão, de uma jornada pesada, uma pressão imensa, e aí um paciente te ofende, trata mal e você tem que continuar. É um estresse muito grande, gera uma tristeza muito grande”, avalia Adeildo.
A orientação do Sindimed é que os profissionais filmem as agressões e registrem a ocorrência.
“Se tiver filmagem, testemunhas, é muito mais fácil de comprovar e tem que ser punido. São seres humanos trabalhando ali, sob pressão. O grande problema está na sobrecarga de trabalho imposta pelo momento. Mas também as condições de trabalho inadequadas, o número de profissionais insuficiente para a demanda, isso já de muito tempo”.
FONTE REPÓRTER
