Gestão de Emanuel foi alvo de sete operações policiais em 2021
O início do segundo mandato do prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) em Cuiabá foi marcado por suspeitas de corrupção. Ao todo foram sete operações policiais deflagradas contra sua gestão em 2021.
Além disso, Emanuel foi afastado do cargo pela Justiça, acusado de esquema com contratações temporárias e pagamento ilegal do chamado prêmio saúde, de até R$ 5,7 mil, para acomodar e atender interesses de aliados políticos, principalmente vereadores.
As operações policiais foram: Overpriced II, Sinal Vermelho, Curare I e II (denominada Cupincha), Colusão, Capistrum e Fake News, que atingiu dois ex-servidores da Prefeitura e o irmão do prefeito, Marco Polo Pinheiro, o Popó.
A Justiça afastou dois de seus auxiliares: o primeiro foi o agora ex-secretário de Mobilidade Urbana de Cuiabá, Antenor Figueiredo, em maio, na Operação Sinal Vermelho.
O segundo, Célio Rodrigues (Saúde), que chegou a ser preso na Operação Curare II.
Ele permaneceu 19 dias no Centro de Custódia de Cuiabá (CCC).
Veja as operações por ordem cronológica:
Sinal Vermelho
A Operação Sinal Vermelho foi deflagrada no dia 5 de maio pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), após a conclusão dos trabalhos investigativos envolvendo a rede de semáforos inteligentes adquiridos pela Prefeitura.
Por ordem da Justiça, o secretário de Mobilidade Urbana Antenor Figueiredo foi afastado do cargo. Também foram bloqueados R$ 553,8 mil de suas contas, da empresas Semex S/A de C.V. e de seu representante.
Dias depois a Deccor indiciou o Antenor pelos crimes de peculato e fraude a licitação. Ele é suspeito de desviar dinheiro público de um contrato firmado entre a Pasta e a empresa Semex no valor de R$ 15,4 milhões para instalação de “semáforos inteligentes”.
A Prefeitura teria tido prejuízo de, pelo menos, R$ 553,8 mil.
Overpriced II
A segunda fase da Operação Overpriced foi deflagrada pelo MPE e Deccor no dia 10 de junho. A ação investigou a aquisição de medicamentos pela Prefeitura por meio de dispensa de licitação, apontando o superfaturamento de até 90%.
A constatação foi embasada em levantamento feito na plataforma DenaSus (Departamento Nacional de Auditoria do SUS) do Ministério da Saúde.
Curare I
A primeira fase da Operação Curare ocorreu no dia 30 de julho. Foi conduzida pela Polícia Federal e cumpriu mandados em Cuiabá e Curitiba (PR). As investigações apontaram que um grupo empresarial, que fornece serviços à Secretaria de Saúde de Cuiabá, recebeu, entre os anos de 2019 e 2021, mais de R$ 100 milhões em serviços.
Eles tentavam atuar de maneira a se manter à frente dos serviços públicos mediante o pagamento de vantagens indevidas, seja de forma direta ou por intermédio de empresas de consultoria, turismo ou até mesmo recém transformadas no ramo da saúde.
Colusão
A Polícia Federal deflagrou, no dia 30 de setembro, a Operação Colusão, contra supostas fraudes em processos licitatórios da Secretaria de Saúde. O valor total dos contratos investigados perfaz o montante de R$ 1.998.983,37.
De acordo com a PF, os processos investigados referem-se à aquisição de materiais de consumo hospitalar e equipamentos de proteção individual (EPIs) para suprir as necessidades da rede municipal no combate à Covid-19.
Foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos estavam a sede da Pasta e da empresa MT Pharmacy. O ex-secretário Luiz Antônio Pôssas de Carvalho também foi alvo.
Curare II
A Operação Cupincha, segunda fase da Curare, foi deflagrada em 28 de outubro e cumpriu mandado de prisão e afastamento do cargo do então secretário de Saúde, Célio Rodrigues.
Também foram presos os sócios de Célio, os empresários Paulo Roberto de Souza Jamur e Liandro Ventura da Silva.
A ação apurou uma suposta organização criminosa que atuaria desviando recursos da Saúde por meio de prestação de serviços em leitos de enfermaria e UTI para Covid-19.
As investigações apontam que empresas foram contratadas pela Empresa Cuiabana de Saúde Pública e a Secretaria Municipal de Saúde por meio de contratos com inúmeras ilegalidades, incluindo sobrepreço.
Segundo a Polícia Federal, existem fortes indícios de que Célio Rodrigues e Paulo Jamur também são sócios ocultos na empresa Cuyabana Cervejaria Artesanal Ltda, que e pode ter sido adquirida para “lavar dinheiro” do grupo.
Capistrum
A Operação Capstrum foi deflagrada em 19 de outubro pelo MPE e Polícia Civil. Na ocasião foram cumpridos mandados de afastamento do cargo de Emanuel, do seu chefe de gabinete, Antônio Monreal Neto, e da secretária-adjunta de Governo e Assuntos Estratégicos, Ivone de Souza. Monreal Neto chegou a ser preso.
Ainda foram alvos a primeira-dama Márcia Pinheiro e o ex-coordenador de Gestão de Pessoas da Secretaria de Saúde, Ricardo Aparecido Ribeiro.
Todos tiveram suas residências vasculhadas pela Polícia e seus bens sequestrados até o montante de R$ 16 milhões.
As investigações apontaram que Emanuel teria feito mais de 3.500 contratações temporárias só na Secretaria de Saúde, a maioria ilegais, com pagamentos de "prêmio saúde" (também chamados de "mensalinhos") de até R$ 5,7 mil, para acomodar e atender compromissos de aliados políticos, principalmente vereadores.
O MPE já ofereceu denúncia do caso apontando a suposta existência de uma organização criminosa montada para acomodar indicações de políticos em cargos da Secretaria da Saúde.
Fake News
A operação foi deflagrada no 14 de dezembro pela Polícia Civil. Entre os alvos estavam o irmão do prefeito, o empresário Marco Polo Pinheiro, o "Popó", e os ex-servidores da Prefeitura, William Sidney Araújo de Moraes e Luiz Augusto Vieira Silva, o Guto.
Eles são acusados de realizar ataques ofensivos, propalar fakes news, há pelo menos um ano, de modo reiterado, contra empresários, servidores e agentes públicos de Mato Grosso.
As investigações apontam que entre as vítimas estão o governador Mauro Mendes (DEM), o secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, e a primeira-dama Virgínia Mendes.
Fonte: Mídia News
