Background

Notícias



entry image

Médicos estão sem salários e fazem 'greve' no São Benedito

Médicos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), do Hospital Municipal São Benedito, estão sem receber novos pacientes desde terça-feira (31) e ameaçam parar totalmente os trabalhos no dia 4 de setembro. A paralisação é em protesto pelos dois meses de salários atrasados e falta de previsão de regularização.

Os servidores são contratados pela empresa Hipermed, que tem contrato com a Prefeitura de Cuiabá para gerir a unidade. A UTI é destinada a pacientes covid-19 e tem 60 leitos para receber os contaminados. No momento, 14 doentes são atendidos na unidade.


Segundo um dos profissionais, que presta serviço para Hipermed desde março, os salários sempre foram pagos com atraso. Contudo eram pagos, agora a empresa sequer responde às cobranças.


“A gente vem cobrando e disseram que pagariam dia 5, depois passou para dia 15, depois pagaram junho e julho em 31 de agosto, mas não pagaram. Falaram poderia ficar tranquilo que não ia ter calote. Agora a gente tenta falar com eles e nem respondem mais”, alega o médico plantonista.


A demora no pagamento foi justificada pela necessidade de atribuir um novo diretor para a empresa, pois o anterior foi retirado do cargo durante a Operação Curare.


Conforme relatou, das vezes anteriores em que a empresa atrasava os salários, a justificativa era que a prefeitura não havia feito repasses. Agora não há sequer novo prazo.


O médico lembra que já houve episódios de ficarem com 3 meses de salários atrasados. Na época uma carta foi encaminhada relatando a indignação com a demora de pagamento e condições de trabalho.


“Ontem já suspendemos a admissão de novos pacientes e as visitas. Os cuidados e assistência estão mantidos. A suspensão continua até a regularização dos pagamentos”, relata o médico.


Diante da atual situação, o grupo de profissionais acionou advogado para notificar a empresa para que o pagamento fosse realizado em 72h. Caso contrário, a paralisação será total a partir do dia 4.


Outro médico que também está no movimento grevista afirma que trabalha para a empresa desde janeiro e sempre houve atraso de até 50 dias. “Esse atraso já era esperado, mas agora a gente nem tem previsão de receber”, afirma.


Segundo o profissional, amigos que trabalhavam para a empresa Proclin, investigada na Operação Sangria, não receberam salários até hoje e teme que isso ocorra novamente com a atual empresa.


Outro lado
A empresa Hipermed e a Prefeitura de Cuiabá foram procuradas e não encaminharam resposta até a publicação da matéria.

 

Operação Curare

Deflagrada em julho pela Polícia Federal, a ação teve objetivo de desarticular uma organização criminosa que atuava em fraudar contratações emergenciais e recebimento de recursos públicos a título de indenização sem processo licitatório.

 

Os serviços prestados ocorriam na Saúde do município de Cuiabá, especialmente no gerenciamento de leitos de terapia intensiva para o tratamento de pacientes infectados pela covid-19. De 2019 a 2021, o grupo recebeu R$ 100 milhões da Prefeitura de Cuiabá.

 

De acordo com a PF, as empresas Hipermed Serviços Médicos & Hospitalares S.A., Ultramed Serviços Nédicos e Hospitalares Ltda., Smallmed Serviços Médicos e Hospitalares Bireli. e Medserv Serviços Médicos e Hospital area Ltda, LV Serviços Médicos e Hospitalares, o Instituto Brasileiro Santa Catarina (Ibrasc), K.J.R, Gestão, Vida e Saúde, atuavam conjuntamente como um cartel, porém, possuem ligações societárias.


Fonte GAZETA DIGITAL