Remédio vencido em depósito da Prefeitura custa mais de R$ 22 mil
Um dos medicamentos vencidos encontrados em um depósito da Prefeitura de Cuiabá, nesta sexta-feira (23), é o AmBisome, antifúngico cuja caixa com 10 ampolas custa mais de R$ 22 mil, conforme pesquisas feitas na Internet.
A informação é dos vereadores Diego Guimarães, Maysa Leão e Marcos Paccola, do Cidadania, que vistoriaram o Centro de Distribuição de Medicamentos e Insumos de Cuiabá (CDMIC).
Eles foram ao local após receberem denúncia sobre desperdício de dinheiro público no local.
Ao verificar a existência de diversos lotes vencidos, eles acionaram a Delegacia de Combate à Corrupção, que enviou uma equipe até o local para fazer o levantamento das quantidades vencidas e já abriu um inquérito para apurar o caso.
Eles também solicitaram a presença do Cartório do 1º ofício para lavrar uma ata notarial sobre os fatos, bem como informaram o Ministério Público Estadual (MPE) e o Ministério da Saúde sobre o flagrante.
Segundo relato dos parlamentares, foram encontradas várias pilhas de caixas de medicamentos vencidos que, segundo eles, nem chegaram a ser destinados às unidades de saúde da Capital.
Entre as medicações vencidas estão Amoxilina (antibiótico), Atenolol (usado para doenças cardiovasculares), Nistatina (antifúngico), Simeticona, Lufbem, Lidogel, além de outros itens mais conhecidos, como água oxigenada, paracetamol e até latas de leite em pó Ninho.
Conforme fotos registradas pelos vereadores, há medicamentos vencidos em 2020 que ainda se encontravam no local. Eles ainda encontraram agulhas e algodão estocados.
"Três carretas"
Segundo o vereador Diego Guimarães, os medicamentos vencidos encontrados no depósito da Prefeitura "dá para encher três carretas".
"É uma situação gravíssima que será detalhada pela Delegacia de Combate à Corrupção. Vamos acompanhar o caso", disse.
Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá não explicou o flagrante de desperdício de dinheiro público. Preferiu dizer que os parlamentares “invadiram o local e desacataram os servidores públicos”.
Onze municípios de Mato Grosso afirmaram em pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) que correm o risco de ficar sem medicamentos do chamado kit intubação. Dos 141, apenas 45 responderam aos questionamentos feitos pela entidade entre os dias 19 e 22 de abril. As pesquisas são realizadas por meio de call center e abrangem todos
os municípios do país. Dessa forma, os resultados apresentados indicam um cenário da situação nacional.
A CNM também perguntou aos gestores se, durante este ano, o hospital da região de cada um enfrentou problemas relacionados à falta do kit intubação. Dez municípios responderam que sim, informando que as unidades locais já ficaram sem os medicamentos do kit. A Confederação não divulga quais são os municípios consultados para preservar a autonomia
de cada ente. Quanto à falta de oxigênio, 3 municípios dos 45 questionados indicaram que essa é uma preocupação constante e admitiram que correm o risco de ficar sem o insumo nos hospitais da região. Quanto às internações em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) à espera de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), 11 municípios afirmaram ter pacientes na fila.
O governo do Estado garante que zerou a demanda por leitos públicos de UTIs para pacientes de covid-19. Mato Grosso registrava filas há cerca de 50 dias e chegou a ter mais de 200 pessoas aguardando tratamento intensivo.
Na semana passada o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou que a pasta vai realizar um pregão nacional e internacional para tentar normalizar os estoques de medicamentos do chamado kit intubação, usado em pacientes nas unidades de terapia intensiva.
De acordo com o ministro, o pregão será na modalidade sem fixação de preços. Queiroga explicou que o ministério já fez ações junto à Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para a aquisição dos insumos, mas que o procedimento não é rápido e que optou por um pregão no intuito de conseguir os medicamentos em um prazo mais curto.
O ministro disse ainda que o ministério deve receber até o final do mês 1,1 milhão de medicamentos do kit intubação (formado basicamente por analgésicos, bloqueadores neuromusculares e sedativos) doados por empresas e que também aguarda a chegada de doações de outros países, como a Espanha.
