Hospital de referência fica com estoque 'zerado' no fim de semana
Hospital Referência de Covid19 (HR) de Cuiabá passou mais um fim de semana com 16 medicamentos e insumos com o estoque zerado, colocando em risco a vida de pacientes internados na unidade. Além disso, outros 9 itens foram classificados pelo setor de Farmácia como insuficientes para a demanda existente. A lista de 25 itens foi encaminhada à Secretaria Municipal de Saúde (SMS) via aplicativo Whatsapp. Isso porque, segundo os profissionais do hospital, funcionários estão proibidos de informar o déficit via comunicado interno (CI) após reportagem de A Gazeta, que expôs trechos de diversos ofícios relatando o caos na Saúde da Capital, levando a óbitos diversos pacientes.
Equipamentos de proteção individual também estão em falta na Unidade de Pronto Atendimento do Morado do Ouro, e trabalhadores frisam os riscos que correm na linha de frente contra a covid-19.
“A secretária (Ozenira Félix) proibiu o pessoal da Farmácia de fazer documento da falta de medicamentos e insumos. Mandou solicitarem dessa forma, por ‘zap’. Ela ameaçou punir quem fizer CI de faltas, para que não vaze para a imprensa”, desabafa um servidor do Hospital Referência, que prefere não se identificar por medo de represálias.
Ele afirma que muitos pacientes estão morrendo não só no antigo Pronto-Socorro, mas também nas policlínicas e UPAs, devido à falta constante de medicamentos e insumos imprescindíveis para tratamento, principalmente dos que estão intubados. Para ele, a gestora da Saúde não se preocupa. “Ela quer se manter no cargo e não quer saber quem vai morrer. Olha que vergonha essa situação”.
Dentre os medicamentos com estoque zerado no HR está o amiodarona injetável, necessário para o controle de distúrbios graves do ritmo cardíaco, inclusive aqueles resistentes a outras terapêuticas. Usado para taquicardia ventricular sintomática e taquicardia supraventricular sintomática.
O sedativo dexmedetomidina injetável é outro medicamento com estoque zerado e indispensável para os pacientes que se encontram intubados com covid-19. Ele promove sedação (indução de um estado calmo) e analgesia (diminuição e controle da sensação de dor) sem diminuição da frequência respiratória, ideal para o tratamento de pacientes infectados pela doença.
FONTE GAZETA DIGITAL
