Hospitais de MT montam consórcio para importar kits intubação e evitar desabastecimento
Devido ao avanço da pandemia da covid-19, com aumentos recorrentes no número de pacientes infectados pelo novo coronavírus com quadro clínico grave, aumentou significativamente a demanda pelos ‘kits intubação’ e os hospitais particulares de Mato Grosso sinalizaram que podem sofrer uma possível falta da medicação, pois, neste momento estão trabalhando com baixa quantidade em estoque.
O kit intubação é um conjunto de medicamentos, entre eles anestésicos, relaxantes musculares e sedativos, além de ventilador mecânico e oxigênio.
O Sindicato dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado de Mato Grosso (Sindessmat) explicou que devido à demanda o Ministério da Saúde requisitou uma maior oferta das indústrias, para garantir que o Sistema Único de Saúde (SUS) não sofra com a falta e os pacientes internados corram risco de morte.
A medida tomada pelo Ministério fez com que a oferta destinada à rede privada diminuísse, dificultando a compra do material pelas unidades de saúde particulares, porém, a demanda de pacientes continua alta, baixando os estoques desses medicamentos.
O caminho para tentar driblar a falta dos kits foi a criação de um consórcio entre as unidades hospitalares da rede privada para importar os kits intubação.
O Sindessmat explicou ao que as unidades de saúde de Mato Grosso até então não trabalhavam com a importação de medicamentos sendo sustentadas apenas pelas indústrias nacionais.
De tal modo, houve dificuldades na regulamentação dos documentos e foi necessário contratar um especialista para intervir e organizar para que fosse viabilizada as compras dos medicamentos no mercado internacional.
O Sindicato ressaltou que “até o momento não existe caso de desabastecimento em nenhum hospital, as unidades trabalham com o estoque baixo, mas ainda sem relatos de falta de medicamentos”.
Rede municipal de saúde de Cuiabá
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Cuiabá informou que a rede de hospitais também tem sofrido com a escassez dos kits de intubação e que trabalha monitorando cada unidade e a necessidade específica dela para que seja reorganizada a distribuição dos medicamentos e não falte em nenhum hospital.
A Pasta explicou ainda que a prefeitura acompanha os estoques dos medicamentos e mantem tratativas com as empresas fornecedoras dos kits intubação para não correr o risco de desabastecimento, no entanto, a demanda é nacional e os insumos estão escassos também nas distribuidoras e indústrias.
A Secretaria ressaltou ainda que a baixa oferta e a alta demanda tem contribuído para uma significativa alta nos preços desse material.
Rede Estadual de Saúde
A Secretaria Estadual de Saúde (SES-MT) informou que os estoques de kit intubação estão regulares nas unidades de saúde administradas pelo Governo e não corre risco de desabastecimento dos medicamentos nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI), até o momento.
A pasta esclareceu que fez uma compra antecipada dos kits ainda no ano de 2020, já prevendo uma alta na demanda de pacientes com sintomas graves de covid que seria proporcionada, à época, pela eminente segunda onda de contágio, que já era uma realidade em outros lugares do mundo.
Agora a SES faz o monitoramento dos hospitais e acompanha os estoques dos medicamentos para que o Governo se antecipe e não seja surpreendido com um possível desabastecimento.
Preocupação nacional
Hoje 975 cidades de todo Brasil sofrem com a possibilidade da falta dos kits intubação essenciais para intubar um paciente em estado grave com dificuldade respiratória e manter intubado.
Os dados foram apurados pela a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que consultou 2938 cidades.
Essa é uma realidade enfrentada tanto na rede pública de saúde quanto na privada dos municípios do nosso país.
FONTE REPÓRTER MT
