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Enfermeiros e técnicos lideram lista de profissionais da saúde contaminados pela Covid-19 em MT; 43

Dentre os trabalhadores da área de saúde que atuam na linha de frente de enfrentamento à Covid-19, os enfermeiros e técnicos de enfermagem lideram o número dos que já se infectaram pela doença em Mato Grosso. No estado, 337 foram infectados e 43 morreram. Segundo o Conselho Regional de Enfermagem (Coren-MT), a causa disso está na sobrecarga de trabalho destes profissionais.

Os dados são de um levantamento feito no painel epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde na última quinta-feira (18). O número de enfermeiros e técnicos de enfermagem contaminados equivale a 3,31% do total de casos (87.072) envolvendo toda a população. Em 2020, o percentual ficou em 14,7%.

De acordo com informações da assessoria de imprensa do Coren, o Conselho acredita que a causa dos números está na sobrecarga de trabalho decorrente do descumprimento do Parecer Normativo 02/2020, do Cofen, sobre o dimensionamento do quadro de pessoal.

"Intensificamos a fiscalização e temos observado o descumprimento das orientações do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) quanto ao dimensionamento do quadro de pessoal. Significa dizer que que temos menos trabalhadores atuando no combate à pandemia do que preconiza o Conselho. Toda esta pressão, o estresse da atividade e o cansaço físico e mental acabam abrindo portas para o vírus num mínimo descuido que seja, como na retirada dos Equipamentos Individuais de Segurança (EPIs) no final do expediente", afirma o presidente do Conselho Regional de Enfermagem, Antônio César Ribeiro.

De acordo com o Parecer Normativo 02/2020, do Cofen, durante a pandemia os hospitais devem considerar a classificação de risco de contágio como intermediária e formar as equipes de trabalho com 33% de enfermeiros e 67% de técnicos. Hospitais Gerais e de Campanha, por exemplo, deveriam garantir no mínimo 6 horas de atendimento de enfermagem à cada paciente, durante as 24 horas do dia. Para cada 20 leitos a recomendação é de 17 enfermeiros e 33 técnicos quando a escala for de 20 horas semanais. Para a escala de 30 horas, 11 enfermeiros e 23 técnicos. Se a escala for de 36 horas, 9 enfermeiros e 19 técnicos; 40 horas, 8 enfermeiros e 17 técnicos; 44 horas semanais, 8 enfermeiros e 15 técnicos.
Nas Unidades de Referência, onde ocorre o tratamento semi-intensivo/sala de estabilização, o mínimo recomendado é de 1 enfermeiro para cada 8 leitos ou fração e de 1 técnico de enfermagem para cada 2 leitos ou fração; além de 1 técnico de enfermagem para cada 8 leitos dedicados ao apoio assistencial em cada turno. Recomenda-se que esta proporção seja mantida independente da carga horária semanal praticada pela unidade de saúde.

Os serviços de UTI deveriam contar com 1 enfermeiro a cada 5 leitos e 1 técnico de enfermagem a cada 2, além de 1 técnico a cada 5 leitos para serviços de apoio assistencial em cada turno. Caberá ao Enfermeiro avaliar a complexidade da assistência e designar um técnico de enfermagem exclusivo para o paciente tendo em vista a gravidade do paciente e a carga de trabalho.

"Estamos orientando a categoria para que redobre os cuidados e cobrando dos gestores e das autoridades sanitárias o cumprimento de todas as orientações que passamos. Quando a conciliação não é possível, acionamos o Ministério Público, por meio das ações civis públicas, para que tome as providencias cabíveis. Se estamos no topo da lista da SES, precisamos de mais atenção por parte dos poderes constituídos", cobrou o presidente do Coren-MT.

FONTE OLHAR DIRETO