Alvo da PF, ex-secretário tentou acelerar terceirização de depósito em Cuiabá
Durante depoimento à CPI dos Medicamentos Vencidos, a ex-secretária de Saúde, Elizeth Lúcia de Araújo, revelou que o ex-secretário, Célio Rodrigues, tentou acelerar o processo de terceirização do Centro de Distribuição de Medicamentos e Insumos (CDMIC). A gestora, contudo, declarou que sempre foi contrária ao procedimento e defendia que o depósito poderia ser modernizado sem a presença de empresas privadas, como é atualmente.
"Logo que eu assumi, o senhor Célio veio para mim com um processo urgente de terceirização da logística do CDMIC. Eu disse para ele: olha, isso para mim não é urgência porque não é algo que impacta na saúde da população de forma tão drástica", disse na última segunda-feira (2), na Câmara Municipal de Cuiabá.
Nomeado secretário de Saúde em junho deste ano, Célio foi afastado do cargo na sexta-feira (30), durante a Operação Curare, por supostamente participar de uma organização criminosa que agia na Secretaria Municipal de Saúde.
Durante a gestão de Elizeth, Célio era diretor administrativo e financeiro da Empresa Cuiabana de Saúde (ECSP) e permaneceu na Secretaria de Saúde por alguns meses, antes de ser nomeado para assumir o comando integral da ECSP, também investigada.
Para a CPI, a servidora relatou que buscou recomendações técnicas sobre a terceirização do CDMIC e foi orientada a tentar solucionar o problema de gestão sem a contratação de empresas privadas.
"Peguei o edital e mandei para os técnicos com intuito de ter um feedback, tive em um fórum em São Paulo e conversei com especialistas. A orientação que eu tive foi para que eu não fizesse dessa forma, me pediram para entender melhor o que estava acontecendo e para utilizar os sistemas oficiais do Ministério da Saúde", expressou.
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Com a resposta, Elizeth arquivou o processo de terceirização. Contudo, após a sua exoneração foram realizadas outras licitações e que resultou na contratação da Norge Pharm, empresa acusada de deixar centenas de medicamentos vencidos no CDMIC.
A ex-secretária ainda acrescentou que a gestão do depósito poderia ser feita por profissionais de carreira do município. "Eu mandei arquivar o processo de terceirização de logística do CDMIC, logo que eu sai, o edital foi feito novamente e não prosperou. No ano de 2019, fizeram essa terceirização com o outro pregão", finalizou.
Outro lado
Por meio de nota, o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) se manifestou afirmando que "considera a fala da ex-secretária estranha e irresponsável sem nenhum compromisso com a verdade, e que segue determinado a entregar uma saúde melhor à população cuiabana apesar daqueles que buscam o quanto pior, melhor".
CPI dos Medicamentos
A CPI dos Medicamentos Vencidos foi instaurada depois que um grupo de vereadores, durante fiscalização, encontrou remédios fora do prazo de validade estocados em um depósito da Centro de Distribuição de Medicamentos e Insumos de Cuiabá (CDMIC). Na ocasião, os parlamentares divulgaram vários vídeos mostrando dezenas de caixas estocadas com remédios que venceram desde o ano passado.
A Comissão tem o prazo regimental de 120 dias para apresentar o relatório final, produzido a partir de inquirições dos envolvidos e outros mecanismos de investigação.
Operação Curare
Deflagrada pela Polícia Federal e o Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (DENASUS), do Ministério da Saúde, a Operação Curare teve como objetivo desarticular uma organização criminosa que atuava em fraudar contratações emergenciais e recebimento de recursos públicos a título de indenização sem processo licitatório.
Os serviços prestados ocorriam na Saúde do município de Cuiabá, especialmente no gerenciamento de leitos de terapia intensiva para o tratamento de pacientes infectados pela covid-19. De 2019 a 2021, o grupo recebeu R$ 100 milhões da Prefeitura de Cuiabá.
Fonte GAZETA DIGITAL
