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Professor avalia que médicos precisam assumir responsabilidade social e melhorar atendimento

O aumento no número de pessoas que são diagnosticadas com doenças crônicas diariamente é um dos maiores desafios da medicina, pontua o médico norte-americano Robert Jannett, professor da Harvard Medical School. Médico há 38 anos, ele acredita que profissionais da área têm grande responsabilidade social – e que para amenizar o problema é preciso mudar o sistema atual.
 
A mudança no comportamento dos médicos de uma postura reativa para uma proativa, com base na atenção personalizada à saúde, foi tema de Fórum promovido pela Unimed Cuiabá nessa terça-feira (21). O médico americano foi um dos convidados e apresentou modelos de organização que podem melhorar o desempenho do sistema de atenção básica.
 
Em conversa com a imprensa, ele citou a importância de se convergir a forma de atenção à saúde. No modelo atual, que chamou de ultrapassado, o paciente é responsável pelo seu “histórico”. Isto é, é ele quem deve ter a preocupação de buscar o atendimento quando julgar necessário. Acontece, no entanto, que a falta de acompanhamento médico é o que contribui para o aumento e agravamento de doenças crônicas.
 
“Não é uma coisa rara. O médico vê o paciente, faz um diagnóstico de tensão arterial, faz uma receita e o paciente não volta nem dois anos depois. Isso não é bom para o paciente nem para o sistema, porque vai provocar crises que podemos evitar”, explicou Jannett. Segundo ele, na “nova medicina”, o médico tem maior preocupação com o paciente, o qual monitora e, caso necessário, busca maneiras de convencê-lo a continuar o tratamento.
“Cada paciente é vinculado diretamente a um médico. É uma relação pessoal entre duas pessoas, profissional e paciente, uma relação mais ou menos permanente. O médico tem uma equipe multidisciplinar que também tem esse relacionamento direto, olho a olho, com o paciente. É um relacionamento de suporte pessoal”, completou.
 
Defendendo a medicina integrada, o profissional pede que os médicos “assumam responsabilidade com o grupo de pacientes e a população”. Jannet lembrou que o agravamento de doenças crônicas gera impacto também na economia e garantiu que, com a atenção personalizada, essas doenças mais específicas, como diabetes e hipertensão, poderiam ser acompanhadas desde o primeiro estágio e, assim, controladas, diminuindo custo do tratamento.
 
O modelo de atenção personalizada já está implantado no país há oito anos. Segundo o profissional, já são mais de 100 mil pessoas atendidas em projetos que buscam difundir a nova forma de “ver” o paciente. A ideia é que o programa também possa ser, em breve, instalado em Cuiabá.